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Atletas profissionais de futebol levam ao extremo o condicionamento físico





Os atletas chegam a correr 12 quilômetros em uma partida de futebol (Gustavo Moreno/CB/DA Press)

Na torcida pelo time do coração, poucos sabem o preparo necessário para que o craque entre em campo em busca do melhor resultado para a equipe. Quando a bola começa a rolar, os jogadores estão preparados para correr de nove a 12 quilômetros, perder entre dois e três quilos — boa parte de água — e gastar quase 2 mil calorias em 90 minutos. Os músculos das pernas e das coxas, os mais exigidos, precisam estar em plena forma para suportar os dribles, corridas em velocidade, saltos e chutes a gol sem que saiam lesionados.

O preparo cardiorrespiratório é outro que deve estar em dia. Em uma partida de futebol, o coração passa de uma frequência de 50 a 60 batimentos por minuto em situação de repouso para 100 ou até mesmo 120 logo no início da disputa. No ápice da partida, os valores variam de 150 a 160 e não são raros os casos em que ultrapassam a casa dos 200 batimentos por minuto. Segundo Emerson Silami, diretor da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o resultado é uma frequência cardíaca com intensidade média de 85%, com máxima de 100% em momentos mais decisivos.

Para suportar tamanha exigência, o corpo de um jogador de alta performance deve estar em plena sintonia e preparo. Os músculos devem ser a grande prioridade. "Entre os grupamentos musculares da coxa e das pernas mais utilizados, destacamos os compartimentos anterior, medial e posterior", afirma Marconi Gomes da Silva, médico do esporte e presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte.

Todo esse preparo também pode variar de acordo com a posição que o jogador ocupa. "Os laterais costumam ser mais velozes e terem melhor condicionamento físico para suportar muitos minutos 'indo e voltando', atacando e ajudando na marcação", explica Marconi. Ele ainda acrescenta que esses atletas geralmente apresentam características semelhantes aos velocistas do atletismo. "E podem ser tão resistentes como os fundistas, os corredores de meia distância e longa distância", compara.

Sem preparo
Os atletas de fim de semana trabalham os mesmos músculos com os profissionais. A grande diferença, na avaliação do médico Marconi Gomes, está no preparo físico. "Embora a intensidade do exercício empregada seja menor, o risco de lesões pode ser alto devido ao menor treinamento, à resistência e à flexibilidade", explica. Os músculos menos preparados e desenvolvidos podem não ser suficientes para controlar os movimentos realizados. "Com isso, a pessoa fica submetida a um alongamento forçado quando em contração, propiciando o surgimento de lesões", observa Marconi.

Musculaturas menos desenvolvidas também facilitam uma menor tolerância ao contato físico. "Jogadores mais fracos do ponto de vista muscular são mais vulneráveis a lesões secundárias provenientes do choque direto com o adversário e pelas quedas frequentes", lembra o especialista. Diante dos riscos, o certo é moderar e prestar atenção nos sinais enviados pelo corpo. A dor durante a partida costuma ser o primeiro sinal de alerta.


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